| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Strigiformes |
| Família: | Strigidae |
| Leach, 1820 | |
| Espécie: | B. virginianus |
Coruja grande e poderosa, com “orelhas” proeminentes. Maior rapinante noturno das Américas, também conhecido como João-curutu e Corujão.
Seu nome científico significa: do (latim) bubo = coruja águia; e de virginianus = referente ou originário do estado da Virgínia nos Estados Unidos da América. ⇒ Coruja águia da Virgínia. “Great Horn Owl” ou “Eagle Owl” de Albin (1731), e “Strix capite auriculato, corpore ruffo” de Linnaeus (1746) (Bubo); “Great Horned Owl from Virginia” de Edwards (1731), “Bubo virginianus” de Brisson (1760).
Dimensões(Relativas):
Grande e imponente coruja, com orelhas proeminentes, grandes olhos amarelados e garras poderosas totalmente cobertas de penas.
Fêmeas maiores que machos. A cor em geral variando do cinza pálido ao marrom escuro. Partes inferiores barradas (claro e escuro). Garganta em branco puro bastante proeminente quando inflada (vocalizando).
Grande variedade de subespécies. No Brasil ocorrem B. v. nacurutu e B. v. deserti.
Voz: Repertório diversificado. O canto típico é uma sequencia de notas graves “huuu, huu-huuú, huuu, huuu” produzida geralmente com o bico fechado e a garganta inflada. O Macho normalmente emite 4 a 5 notas por sequencia e a fêmea, 6 a 9 notas mais agudas. O intervalo entre a sequencia denotas varia de acordo com o grau de excitação da ave.
Apresenta quinze subespécies:
Predadora generalista e oportunista, porque captura a presa mais fácil e abundante. Na Guiana Francesa, preda tartaruguinhas recém-eclodidas.
Se alimenta de mamíferos menores até o tamanho de lebres, ratões e gambás (suas presas mais comuns). Captura morcegos em pleno voo. Também aves do porte de patos, gansos, garças e aves de rapina de médio porte (incluindo outras espécies de coruja), répteis, sapos, aranhas e grandes insetos.
Caça geralmente em áreas abertas ou semi-abertas, bordas de matas ou clareiras, partindo geralmente de um poleiro, de onde mergulha para capturar as presas.
Algumas vezes detecta a presa durante o voo, mergulhando para capturá-la.
Mata a presa utilizando as poderosas garras e bicando a cabeça. A presa é então levada a um lugar seguro para ser devorada ou para o ninho. A comida excedente é frequentemente armazenada em “esconderijos” em seu território.
O ciclo reprodutivo começa no inverno, quando as noites são mais longas.
Após a marcação do território, o macho normalmente contacta a fêmea, frequentemente a mesma dos anos anteriores. Ambos podem ser ouvidos vocalizando em duetos durante a corte.
O macho oferece locais potenciais para o ninho para sua companheira, visitando cada local, vocalizando sons guturais combinados com cantos. Frequentemente o lugar escolhido para o ninho é o mesmo de outros anos. Costumam utilizar-se de ninhos abandonados de grandes aves como Gaviões, grandes “ocos” de árvores, uma depressão em um barranco ou penhasco, entradas de cavernas, entre rochas, etc.
A fêmea põe 2 ovos arredondados e brancos (às vezes até seis) com 50-60 mm x 43-50 mm. Ela os incuba sozinha por 28 a 35 dias, sendo alimentada pelo macho. Quando a comida é abundante, ela é armazenada no próprio ninho, que se torna “apodrecido”.
Os ninhegos tem penugem esbranquiçada. Eles permanecem no ninho por aproximadamente 7 semanas, mas são incapazes de voar bem até a idade de 10-12 semanas (alguns caem do ninho). Os ninhegos são bastante ruidosos quando “pedem” alimento. Eles são alimentados pelos pais até o Verão ou até mesmo o começo do Outono, para então se dispersarem.
A maturidade sexual é atingida no ano seguinte.
Áreas semi-abertas com árvores, ravinas, cerrado. Áreas com escarpas rochosas com árvores e arbustos, mesmo em áreas antrópicas ou grandes parques.
Torna-se ativa após o crepúsculo, mas em algumas regiões a coruja está alerta já no final da tarde ou início da manhã.
Descansa no seu esconderijo durante o dia entre densa folhagem de árvores ou arbustos, em reentrâncias de penhascos, entre rochas ou em rachaduras de grandes troncos.
Permance com as “orelhas” eretas e olhos semi-fechados. No crepúsculo, frequentemente vocaliza alguns chamados de seu poleiro antes de voar para um poleiro em áreas mais abertas, frequentemente uma rocha ou um galho exposto, de onde vocaliza. Mesmo durante o dia ao pressentir a presença de algum intruso emite uma vocalização de alerta, mais curta e mais baixa que a normal (observação pessoal, João de Almeida Prado).
Normalmente vários poleiros são utilizados para demarcar um território, com a intenção de atrair a fêmea.
Durante a vocalização, o macho pende a cabeça para frente com o corpo alinhado horizontalmente, com a cauda e asas ligeiramente abaixadas. Nesta posição, a garganta é inflada como uma “bola branca” abaixo do bico. No crepúsculo, esta marcação branca torna-se bastante evidente, indicando a posição do macho. As fêmeas normalmente não performam este display quando vocalizam.
Ambos sexos podem ser bastante agressivos (mesmo com humanos), durante a época reprodutiva, especialmente após a eclosão dos ovos.
Ocorre em todo o continente americano. Em todas as regiões do Brasil. Do nível do mar até 4500 m de altitude.